Depois do aniversário dos 40 anos do envio da primeira mensagem de correio electrónico, publico neste post um artigo que li no Jornal Público, que fala precisamente da história da Internet em Portugal.
Corria o ano de 1994. Mês de Abril. "A Lista de Schindler" tinha acabado de ganhar o Óscar de melhor filme. Nos Estados Unidos, os telespectadores já se andavam a rir com "Seinfeld", mas em Portugal as televisões privadas ainda davam os primeiros passos. Eram tão recentes que o "Big Show SIC" ainda não tinha sido inventado. Paralelamente, no país que ainda não conhecia o Macaco Adriano, um grupo de académicos já andava a mexer na Internet, à revelia dos restantes milhões de portugueses.
A partir de Abril de 1994, as coisas começam a mudar: num seminário intitulado "Portugal na Internet", em Lisboa, foi mostrada ao público e aos jornalistas, pela primeira vez, a Internet em funcionamento. A partir desse dia, cada um de nós ficou um bocadinho mais perto do mundo que conhecemos hoje.
"Esse seminário marcou claramente o aparecimento ao grande público da Internet em Portugal". Quem recorda o evento é o homem apontado como o “pai” da Internet em Portugal: José Legatheaux, actual sub-director da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Mas em 1994 era o "homem do momento". A Internet em Portugal passava, necessariamente, por ele.
Em 1994 andava, portanto, o mundo académico português deslumbrado com a Internet, imerso num frenesim de oportunidades, apesar de o português médio, o típico "António Silva", não fazer ainda ideia que os computadores se podiam ligar em rede e que era possível enviar uma mensagem para o outro lado do mundo e receber a resposta no próprio dia. Na própria hora. No próprio minuto.
Pedro Ramalho Carlos, o homem que alguns anos mais tarde viria a fundar uma das primeiras empresas privadas de fornecimento de Internet (ISP), a IP, ainda se lembra bem da emoção que sentiu quando tomou o pulso a "isso" da Internet, quando enviou e recebeu os seus primeiros e-mails, ainda no final da década de 1980. "Era inacreditável enviar uma mensagem para o outro lado do mundo, na Califórnia, e poucos minutos depois ter uma resposta (...) Hoje este imediatismo é mais que natural", mas na altura as coisas podiam arrastar-se, por correio normal, durante várias semanas. “Com a Internet e o e-mail tudo se passava em poucos minutos".
Alguns meses depois da "apresentação oficial" da Internet em Portugal, o deputado José Magalhães (actual Secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária e um dos primeiros "rostos" da Internet no nosso país) publicou o primeiro livro em Português sobre como usar a Internet e, a partir daí, a palavra começou a penetrar no léxico, embora só se generalizasse dois ou três anos depois. Mas a comercialização e acessibilidade da Internet ao grande público, isso só se verificaria a partir de 1999/2000.